Por Anne Silva | Revista Fórum
24/04/2025
Segundo dados oficiais divulgados pelo governo da Índia, as exportações do setor de Defesa do país alcançaram, em março de 2026, o marco de US$ 4,11 bilhões, um crescimento de 62% em relação ao período anterior.
Entre 2024 e 2025, o valor havia sido de US$ 2,52 bilhões, salto considerável para o setor, que tem sido incentivado por políticas nacionais industrializantes a fim de reduzir a dependência de importações.
O principal desses programas é o Make in India, apresentado pelo governo indiano em 2014, que encoraja transferência tecnológica e expansão industrial de pelo menos 27 setores da economia, incluindo a Defesa, mas também a tecnologia eletrônica, o ramo de fármacos e têxteis, energias renováveis e automóveis.
No campo institucional, os investimentos em Defesa também se consolidam com o novo pacote, anunciado pelo Ministério da Defesa neste mês de março, de um novo pacote de modernização militar com investimentos de US$ 25 bilhões para o desenvolvimento e a aquisição de sistemas de defesa aérea, aeronaves de transporte, drones de ataque e munições avançadas.
Atualmente, a Índia exporta para mais de 80 países, e seus principais parceiros comerciais no setor militar são potências do Sudeste Asiático, mas também da África e da América Latina.
O portfólio do país inclui sistemas menos complexos, como munições e armas leves, mas tem crescido em plataformas sofisticadas, como drones, sistemas de artilharia e embarcações.
Especialmente no setor de drones, a Índia tem investido em mais de 600 empresas nacionais com produção focada em defesa e uso comercial, num mercado estimado em US$ 4 bilhões até 2036.
As tecnologias de Inteligência Artificial complementam o setor, que usa dados para alimentar sistemas de ataque como o enxame Chanakya, um framework de autonomia descentralizada para enxames de Veículos Aéreos Não Tripulados (UAVs) desenvolvido localmente e com investimentos governamentais.
Os drones kamikaze, frutos dos projetos KAL e Sheshnag-150, e os drones stealth, como o Ghatak, têm sido incluídos nas rotinas de teste.
No campo dos armamentos pesados, a Índia se destaca com o o míssil de cruzeiro supersônico BrahMos, desenvolvido em parceria com a Rússia, que já foi solicitado pelas Filipinas.
Segundo dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), o país permanece como o segundo maior importador de armas do mundo, atrás apenas da Ucrânia, e figura na quinta posição entre os maiores gastos militares globais.