Presidente libanês afirma que explosões israelenses no Castelo de Beaufort ameaçam acordo-quadro

O presidente libanês Joseph Aoun condenou na sexta-feira os ataques israelenses contínuos no sul do Líbano, afirmando que explosões poderosas no histórico Castelo de Beaufort constituíram uma escalada perigosa que ameaçava diretamente a implementação do acordo-quadro mediado pelos EUA entre Líbano e Israel, informa Anadolu.

Por Middle East Monitor

31/07/2026

Presidente libanês afirma que explosões israelenses no Castelo de Beaufort ameaçam acordo-quadro
Fumaça densa se levantou da área como resultado das poderosas explosões após ataques aéreos militares israelenses com 700 toneladas de explosivos na região de Shaqif (Beaufort), no sul do Líbano, em 31 de julho de 2026. [Houssam Shbaro – Agência Anadolu]

Em um comunicato divulgado pela Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), Aoun denunciou o que descreveu como violações israelenses em curso, especialmente explosões que atingiram infraestrutura e sítios arqueológicos listados como Patrimônio Mundial da UNESCO, afirmando que causaram danos extensos em vilarejos do sul do Líbano e ameaçaram civis.

Ele disse que as poderosas explosões registradas na sexta-feira no Castelo de Beaufort geraram ondas sísmicas equivalentes a um terremoto de magnitude 3,8, segundo o Centro Nacional de Geofísica do Líbano.

Aoun descreveu as explosões como “uma escalada altamente perigosa” e “uma violação flagrante dos compromissos existentes”, alertando que representavam “uma ameaça direta ao processo lançado sob o acordo-quadro”, cujas obrigações o Líbano se comprometeu a implementar.

Ele afirmou que o momento dos ataques, na véspera de uma reunião em Roma para continuar as discussões sobre a implementação do quadro trilateral, “envia mensagens negativas e mina os esforços internacionais voltados para consolidar a estabilidade.”

Aoun pediu aos patrocinadores do acordo e à comunidade internacional que assumam suas responsabilidades e ponham fim ao que ele descreveu como violações que ameaçam o progresso no processo diplomático e minam a segurança e a estabilidade no sul do Líbano.

Mais cedo, na sexta-feira, o exército israelense realizou explosões em grande escala pelo sul do Líbano, destruindo cavernas e casas, incluindo túneis sob o histórico Castelo de Beaufort. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz disseram que a operação teve como alvo o que descreveram como túneis do Hezbollah sob o local listado pela UNESCO, alegando que eles faziam parte de um plano para atacar assentamentos na Galileia. As autoridades libanesas disseram que as explosões danificaram casas em vilarejos próximos e desencadearam tremores sísmicos.

Israel continuou as operações militares no Líbano, apesar do acordo-quadro mediado pelos EUA assinado em 26 de junho. O acordo prevê uma retirada gradual israelense do território libanês ocupado em troca do envio do exército libanês e do desarmamento de grupos armados, incluindo o Hezbollah.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, ataques israelenses desde 2 de março já mataram 4.333 pessoas e feriram outras 12.236.

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