Omã: um morto e dois desaparecidos em ataque com míssil a petroleiro

A casa das máquinas de um petroleiro incendiou-se ao largo da costa de Omã, perto do estreito de Ormuz, na quarta-feira, informou uma agência marítima britânica, dando conta de dois desaparecidos e uma vítima mortal.

Por Aleksandar Brezar | Euronews

10/06/2026

Omã: um morto e dois desaparecidos em ataque com míssil a petroleiro
Um barco de patrulha avança pela água enquanto navios de carga permanecem fundeados no Estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, 2 de maio de 2026 © AP Photo

Antes, a empresa britânica de segurança marítima Vanguard Tech tinha referido que o petroleiro Settebello, com bandeira de Palau, “lançou um pedido de socorro, alegando que a casa das máquinas tinha sido atingida por um míssil enquanto operava ao largo de Sohar, no golfo de Omã” e que havia um incêndio a bordo.

Mais tarde, a agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) relatou um incidente a 20 milhas náuticas a nordeste de Sohar, em Omã.

“As autoridades locais comunicaram que um petroleiro sofreu um incêndio na casa das máquinas e que se encontram no local a apoiar a evacuação da tripulação”, indicou.

“O navio dá conta de uma vítima mortal e de dois membros da tripulação desaparecidos. Sem registo de impacto ambiental”, acrescentou.

Não é ainda claro quem esteve por detrás do alegado ataque com míssil contra o navio.

Sohar fica perto da entrada do estreito de Ormuz, numa zona onde se têm repetido incidentes envolvendo navios desde que começou a guerra com o Irão, em 28 de fevereiro.

Bloqueios rivais provocam série de incidentes

O ataque é o mais recente de uma série de ataques com mísseis e drones contra navios comerciais no estreito, que está sob dois bloqueios rivais há vários meses.

Teerão praticamente paralisou o tráfego de navios de carga nesta via marítima crucial, enquanto os Estados Unidos impuseram o seu próprio bloqueio a todos os navios e portos iranianos.

A 1 de março, o Irão atingiu um petroleiro a norte do porto de Khasab e o porto de Duqm, ambos em Omã.

No fim de maio, um relatório da UKMTO deu conta de uma explosão noutro petroleiro, a cerca de 60 milhas náuticas a leste de Mascate.

Na segunda-feira, o Comando Central dos EUA disparou um míssil Hellfire contra a casa das máquinas do MT Lexie, com bandeira do Botsuana, que seguia para um porto iraniano em desafio ao bloqueio naval norte-americano.

No mesmo dia, um F-18 Super Hornet norte-americano, embarcado no porta-aviões USS Abraham Lincoln, atingiu e imobilizou o MT Marivex, com bandeira de Palau, no golfo de Omã, pelos mesmos motivos.

A própria Sohar foi atingida por drones iranianos no início da guerra e o Irão capturou ainda vários navios no golfo de Omã, incluindo, em maio, um petroleiro identificado como Ocean Koi, que Teerão acusou de tentar perturbar as exportações de petróleo e os interesses iranianos.

Apesar disso, Omã tem continuado a servir de canal de mediação entre Teerão e Washington.

O estreito de Ormuz tem cerca de 38 quilómetros de largura no ponto mais estreito, o que significa que tanto o Irão como Omã controlam a via marítima, por onde passa habitualmente um quinto das exportações mundiais de petróleo e de gás natural liquefeito (GNL), além de outras cargas.

Teerão já tinha afirmado que pretendia introduzir portagens para os navios em trânsito, sugerindo que cobraria taxas de passagem durante o cessar-fogo de duas semanas com Omã, uma afirmação que Mascate rejeitou rapidamente, alegando que não podem ser impostas legalmente taxas porque Ormuz é uma passagem natural e não artificial.

No fim de maio, o Irão publicou ainda um mapa em que reivindica controlo regulamentar sobre uma faixa do estreito de Ormuz que se estende profundamente pelas águas territoriais dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, o que levou cinco países do Golfo a avisarem formalmente as companhias de navegação, através da Organização Marítima Internacional (OMI), para não cumprirem essas orientações.

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