Reino Unido e França deveriam liderar a nova OTAN europeia sem ajuda dos EUA, diz o ex-chefe

Grã-Bretanha e França deveriam liderar uma nova 'OTAN Europeia' para assumir a responsabilidade pela defesa da Europa sem ajuda dos Estados Unidos, disse um ex-chefe da OTAN.

Por Caitlin Leng | Daily Mail

25/04/2025

Reino Unido e França deveriam liderar a nova OTAN europeia sem ajuda dos EUA, diz o ex-chefe
Reino Unido e França deveriam liderar uma nova coalizão 'Otan Europeia' para assumir a responsabilidade pela defesa da Europa, disse Anders Fogh Rasmussen

Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da organização de 2009 a 2014, disse que uma nova arquitetura de segurança era necessária após Donald Trump ameaçar se retirar da Otan.

Rasmussen sugeriu expandir a Coalizão dos Voluntários – uma aliança de 35 países criada para defender a Ucrânia em caso de cessar-fogo – para que ela possa assumir o papel convencional de defesa da Europa.

Ele identificou França e Grã-Bretanha como os principais membros de uma aliança ampliada, citando suas capacidades nucleares como um fator chave.

Atualmente, a coalizão tem sua sede em Paris, com planos de se mudar para Londres após seus primeiros 12 meses de operação.

Os comentários do Sr. Rusmussen vêm após a expressão de ‘dúvidas’ do presidente Trump sobre seu compromisso com a Otan e o Artigo 5 – a cláusula de defesa mútua que afirma que um ataque a um membro é um ataque a todos – o pilar europeu da Otan deve ser fortalecido.

A coalizão, incluindo Kiev, está atualmente preparando um destacamento pós-guerra destinado a dissuadir novas agressões russas contra a Ucrânia.

No entanto, o Sr. Rasmussen argumentou que seu escopo deveria se estender além da Ucrânia para abordar a segurança em todo o continente. Em sua proposta, a Ucrânia continuaria a fazer parte dessa aliança ampliada.

Ele descreveu a Ucrânia como um ‘ativo’ dentro da coalizão, mas disse que, independentemente do resultado das possíveis negociações de paz, o país ainda precisará de um ‘baluarte’ contra a agressão russa.

Falando ao Telegraph, ele disse: ‘Por isso acho que devemos incluir a Ucrânia em uma nova arquitetura europeia de segurança e, assim, podemos fortalecer a OTAN.’

Rasmussen disse que a Coalizão dos Voluntários agora é necessária, pois ele não quer ‘incluir países hesitantes’ que pertencem a outras alianças, como a União Europeia (UE).

Vários Estados-membros da União Europeia, incluindo Áustria e Irlanda, mantêm a neutralidade militar, enquanto outros são vistos como mais simpáticos a Moscou.

Nações como Reino Unido, Noruega e Turquia também não fazem parte da aliança, porém, são aliados chave da Otan.

Os comentários do Sr. Rasmussen surgem em meio a um renovado debate sobre a futura arquitetura de segurança da Europa, após as críticas do presidente Trump aos aliados europeus da Otan por recusarem apoiar sua guerra no Irã.

O Sr. Trump já descreveu a coalizão como um ‘tigre de papel’ e disse que se retirar dela era ‘irreconsiderável’.

Isso levantou dúvidas sobre se o presidente dos EUA autorizaria apoio militar aos aliados europeus caso o Artigo 5 fosse invocado.

Desde então, os Estados-membros da UE vêm considerando a força e a praticidade da cláusula de defesa mútua do bloco, o Artigo 42.7, consagrada no Tratado de Lisboa.

No entanto, o Sr. Rasmussen descreveu a ideia como ‘mais fraca’ do que o Artigo 5.

Ele disse: ‘A União Europeia, como tal, não possui as capacidades militares necessárias para implementar realmente a 42.7.’

O Sr. Rasmussen – que já foi primeiro-ministro da Dinamarca – rejeitou as propostas de Andrius Kubilius, comissário de defesa da UE, para um conselho de segurança europeu como ‘leves’.

Ele disse que a ‘defesa dura da Europa’ exige um grupo de nações no continente que sejam ‘capazes e dispostas’ a fazer o que for necessário.

Rasmussen também argumentou que a Europa não deveria hesitar em apoiar a guerra de Trump no Irã, sugerindo que poderia ajudar a garantir a reabertura do Estreito de Ormuz em troca de uma redução nas tarifas comerciais dos EUA.

Ele sugeriu uma abordagem ‘transacional’, tão apropriada quanto é assim que ‘aliados trabalham juntos’.

Ele propôs que a abordagem da Europa em relação a Trump deveria ser dizer: ‘Estamos juntos nessa. Estamos dispostos a ajudá-los, desde que permaneçam engajados na Europa, inclusive apoiando a Ucrânia, e não entendemos por que estão impondo tarifas aos seus aliados.’

No entanto, o Sr. Rasmussen enfatizou que novas coalizões defensivas não substituiriam a Otan – mas sim trabalhariam em paralelo, com os EUA assumindo um papel de liderança dentro da aliança.

Ele afirmou que, assim como a Coalizão dos Voluntários pode assumir a responsabilidade pela defesa convencional da Europa, um ‘guarda-chuva nuclear’ abrangente ainda será fornecido pelos EUA.

Ele acrescentou que, nesse caso, a coalizão exigirá o ‘Comandante Supremo Aliado’ na Europa, que deve ser americano.

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